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Acabo de ler um livro que muitos disseram que não valia à pena, pois não passava de um conto de fadas, livro para crianças; mas eu só tenho a dizer que adorei “As Crônicas de Nárnia”.
Conheci O Leão, a Feiticeira e o Guarda-Roupa quando a Walt Disney e Walden Media decidiram, presentear-nos, com a produção em filme deste livro de C. S. Lewis, o primeiro volume de um conjunto de sete crônicas, que à partida terão também uma versão cinematográfica. O encanto que a história despertou em mim levou-me a analisar, ainda que de forma superficial, alguns aspectos deste livro, que irei abordar aqui neste posts.
Sabendo que C.S Lewis era um cristão convicto, é quase impossível não reparar nas relações que se estabelecem entre as Crônicas de Nárnia e a Bíblia. Nas palavras do próprio C. S. Lewis, Aslan não pretende ser uma alegoria de Jesus:
"I did not say to myself 'Let us represent Jesus as He really is in our world by a Lion in Narnia'; I said 'Let us suppose that there were land like Narnia and that the Son of God, as he became a Man in our world, became a Lion there, and then imagine what would happen". (Lewis, 1954, 1998)
Deste modo, falarei não de uma alegoria, mas de um evidente paralelismo, uma vez que o autor usou motivos e princípios bíblicos para construir a sua história. O objetivo do professor universitário Jack, como C. S. Lewis gostava de ser tratado, era criar histórias, que pela magia e fantasia, envolvessem as crianças e jovens, leitores-alvo destes livros; por um lado, divertindo-os, e por outro lado, formando-os assegurando a passagem de valores cristãos. A idéia inicial deste livro surgiu com a imagem de um fauno passeando na neve com uma sombrinha. A esta curiosa figura juntou-se uma vasta galeria de figuras míticas, fantásticas e extraordinárias, tais como centauros, unicórnios, etc., e animais que falam, criando-se um mundo novo, mágico e desconhecido - Nárnia. Por outro lado, o fato de os protagonistas serem jovens constitui à partida um ponto forte para estabelecer uma relação com os destinatários das mesmas faixas etárias.
Estes ingredientes a par de muitos outros presentes na vasta e séria obra literária de C. S. Lewis revelam o dom e a arte do escritor, que ao longo de várias décadas, tem alcançando, através dos seus estudos e, neste caso particular, das suas histórias (em livros, em séries televisivas e também em filme) milhares de crianças, jovens e adultos. Mediante a idade de cada um nascerá uma interpretação. Contudo, são de fato as crianças que pela sua imaginação, simplicidade, mente aberta, leve de preconceitos e cheia de inocência que conseguem realmente abrir o armário e entrar, conhecer e compreender o universo de “As Crônicas de Nárnia”.
Tendo como ponto de partida o próprio título proponho abordar em primeiro lugar a figura do Leão, chamado Aslan, que significa "leão" em turco. É mais que evidente o paralelo entre Jesus e Aslan, começando pela escolha simbólica da figura do Leão, utilizada na Bíblia por diversas vezes para fazer referência a Jesus: " Leão da tribo de Judá, a raiz de Davi" (Apocalipse 5:4-6), e associada a poder, respeito, força, realeza e coragem.
A sua presença faz-se sentir desde o início não tanto em termos de imagens, mas antes nos desejos e anseios de todos os habitantes de Nárnia, um pouco à semelhança da expectativa do povo hebreu relativamente à chegada do Messias, que é visto como uma esperança de redenção e salvação. O seu poder é conhecido por todos e após algum tempo em Nárnia, também os quatro Filhos de Adão e Eva, apesar dos percursos diferentes, passam a conhecê-lo e a admirá-lo. A presença física de Aslan surge pela primeira vez no campo onde todos se preparam para a batalha contra a Feiticeira, colocando-se destaque na reverência e no respeito que rodeam a figura imponente e magestosa, doce e justa de Aslan.
A lição maior que Aslan transmite é a do amor perfeito, puro, justo e sublime; pois o leão decide entregar-se para salvar a vida de Edmund, um jovem filho de Adão, que havia traído os seus irmãos e o próprio Aslan. Antes ainda, Aslan ordena o resgate de Edmund e perdoa-o tendo uma conversa particular e discreta com o garoto, que não é divulgada a mais ninguém, mas decerto terá modificado o coração de Edmund. Do mesmo modo, a experiência que cada um pode ter com Deus nunca é imposta e tem de ser vivida de forma pessoal e íntima. Também a excelência do perdão é ensinada aos irmãos de Edmund, que são aconselhados a pôr uma pedra sobre o assunto e a não guardarem ressentimentos, tal como Jesus ensinou: "Se perdoardes aos homens as suas ofensas, também vosso Pai celestial vos perdoará a vós." (Mateus 6:14)
A entrega de Aslan, um inocente no lugar de um traidor, e o seu sacrifício remete-nos, sem dúvida, para o sacrifício do próprio Jesus, morto na cruz habitualmente destinada a ladrões e assassinos. No fundo o pecado e os erros de Edmund representam o pecado de toda a humanidade, e o sacrifício de Aslan a morte de Jesus na cruz. Temos pois, um leão que voluntariamente se faz ovelha e é levada para o matadouro. O percurso até ao sacrifício indicia claras semelhanças, sobretudo na zombaria das criaturas horrendas da feiticeira que evocam a zombaria dos soldados romanos, bem com o desdenhar da Feiticeira que indiretamente desafia o leão a soltar-se, tal como fez o ladrão ao dizer a Jesus que saísse da cruz.
Durante este período, apenas as duas jovens, Susan e Lucy, seguem Aslan e observam de perto o sacrifício. São elas próprias que testemunham, regozijando-se com a realidade da ressureição; numa clara alusão à Bíblia e ao episódio da ressureição de Cristo, em que Maria e Maria Madalena assumem um papel importante. A mesa de pedra pode ser interpretada a vários níveis: por um lado pode significar a grande pedra do sepulcro que foi revolvida do sepulcro. Por outro lado, é possível estabelecer uma relação com as tábuas de pedra, dadas a Moisés e que continham os 10 mandamentos. Talvez a relação mais evidente seja com a cortina que se rasgou no templo, quando Jesus morreu, evidenciando-se, de qualquer modo, nestas duas últimas interpretações, o nascimento de uma nova aliança, de um novo concerto e do tempo da Graça estabelecidos pela Morte/ Ressurreição de Jesus e a vitória sobre o Mal.
A batalha entretanto havia começado. Os guerreiros avançam, desconhecendo, todavia que a verdadeira batalha já havia sido travada e vencida por Aslan. A batalha espelha em parte a luta espiritual entre o Bem e o Mal; uma luta que envolve todos, mas que depende de cada um, e que é travada em cada momento entre as hostes do Bem e do Mal. O comentário relativo ao número superior de inimigos não deixa de estar relacionado com outras batalhas, como a travada por Gideão com apenas 300 homens: “Maior é o que está conosco do que os que estão contra nós!”
Esta luta espiritual apesar de não ser visível em termos humanos e estar afastada da lógica, (tal como não é lógico lutar contra minotauros, anões e companhia) também implica estar protegido, equipado e preparado tal como Pedro fez. Este fato pode ser relacionado com a armadura espiritual que é referida em Efésios 6:
“10- Finalmente, fortalecei-vos no Senhor e na força do seu poder. 11- Revesti-vos de toda a armadura de Deus, para poderdes permanecer firmes contra as ciladas do Diabo; 12- pois não é contra carne e sangue que temos que lutar, mas sim contra os principados, contra as potestades, conta os príncipes do mundo destas trevas, contra as hostes espirituais da iniqüidade nas regiões celestes. 13- Portanto tomai toda a armadura de Deus, para que possais resistir no dia mau e, havendo feito tudo, permanecer firmes. 14- Estai pois, firmes, tendo cingidos os vossos lombos com a verdade, e vestida a couraça da justiça, 15- e calçando os pés com a preparação do evangelho da paz, 16- tomando, sobretudo, o escudo da fé, com o qual podereis apagar todos os dardos inflamados do Maligno. 17- Tomai também o capacete da salvação, e a espada do Espírito, que é a palavra de Deus; 18- com toda a oração e súplica orando em todo tempo no Espírito e, para o mesmo fim, vigiando com toda a perseverança e súplica, por todos os santos.” (Efésios 6:10-18)
Antes de partir para o palco da batalha, Aslan recupera aqueles que haviam sido condenados pelo gelo da Feiticeira e com o seu sopro, gera vida e calor, numa alusão que pode estar relacionda quer com a criação: “E formou o Senhor Deus o homem do pó da terra, e soprou-lhe nas narinas o fôlego da vida; e o homem tornou-se alma vivente.” (Gênesis 2:6-8) Quer com a salvação de almas e o novo nascimento. Apesar de a principal batalha já ter sido vencida, a intervenção e presença do Leão são essenciais para derrotar o inimigo, tal como acontece com o cristão.
No final do livro o Leão parte, mas transmite-se a idéia de que voltará quando menos se esperar. Maranata!
A Feiticeira Jadis é a figura maléfica que seduz o homem com o único intuito de destruí-lo. Representa de forma evidente o mal e a tentação, estabelecendo um paralelismo com Satanás. Destacam-se aqui duas situação para estabelcer ligação com a obra: o modo como Satanás tentou Jesus, oferecendo-lhe poder e reinos e a forma como seduziu Judas, oferecendo-lhe dinheiro. Jesus venceu essa provação, mas Judas pagou cara a traição.
Na obra de C. S. Lewis, a Feiticeira apresenta-se como a Rainha de Nárnia e seduz Edmund oferecendo-lhe poder e a oportunidade de ser príncipe do seu reino, em troca de um favor. Tal como já foi referido, alude-se aqui à passagem que, por exemplo se encontra em Mateus 4:8-9: “Novamente o Diabo o levou a um monte muito alto; e mostrou-lhe todos os reinos do mundo, e a glória deles; E disse-lhe: Tudo isto te darei, se, prostrado, me adorares.”
Esta tentativa de deslumbrar com poder e esplendor foi vencida por Jesus, mas na obra enreda Edmund de tal forma que o leva a trair os seus próprios irmãos por diversas vezes. A Feiticeira Branca alicia-o ainda de outra forma: com doces (delícia turca) viciantes, alundindo de algum modo à glutonaria:
É possível neste caso estabelecer uma relação com o verso bíblico: "Porque muitos há, dos quais repetidas vezes vos disse, e agora vos digo até chorando, que são inimigos da cruz de Cristo; cujo fim é a perdição; cujo deus é o ventre; e cuja glória assenta no que é vergonhoso; os quais só cuidam das coisas terrenas." (Filipenses 3:18-19).
Contudo, cedo Edmund descobre que o rosto inicialmente doce da Feiticeira era uma máscara. A doce rainha dá lugar a uma terrível feiticeira: "Isto não é de admirar, pois o próprio Satanás se disfarça de anjo de luz." (II Coríntios 11:13-15)
Acabados os enganos e seduções Jadis coloca Edmund não no desejado trono, mas na prisão e revela o seu verdadeiro intuito: destruir Aslan e os filhos de Adão e Eva. Mais uma vez a aproximação entre a Feiticeira e Satanás é clara; todo o poder é usado para conseguir poder para si e furtar, matar e destruir: “O ladrão vem apenas para furtar, matar e destruir; eu vim para que tenham vida, e a tenham plenamente.” (João 10:10)
A Feiticeira pôde reinar durante algum tempo, mas na altura certa Aslan com o seu sacricífio derrotou-a!
Obrigada Jesus pelo Teu sacrifício!
O guarda-roupa pode ser interpretado como uma metáfora que ajuda a compreender melhor a fé, o cristão e o seu relacionamento com Deus. Lucy é a primeira a entrar no guarda-roupa e a descobrir Nárnia; depois de regressar conta aos irmãos o que encontrou, convidando-os a aventurarem-se na entrada secreta, mas, para seu espanto, sem qualquer sucesso. Os irmãos acabam por relatar a situação ao professor, dono da casa, que lhes responde da seguinte forma: “Porque não ensinam lógica nas vossas escolas? Só há três possibilidades. Ou a vossa irmã anda a mentir, ou está louca, ou o que diz é verdade. Vocês sabem que ela não mente e é óbvio que não está louca. Então por agora, e a menos que surjam outros indícios em contrário, temos de partir do princípio de que está a dizer a verdade.”
Esta frase é extremamente importante, porque de alguma forma permite explicar o conceito de fé: pode paracer ilógica, irracional, fruto da imaginação, mas a fé não é mentira, não é loucura - a fé existe!
A fé permite, no fundo, "abrir portas" que nos deixam ver mais além, ver esperança e vida onde outros nada vêem. Podemos ter o nosso coração como um armário, onde penduramos e guardamos "roupas", ou podemos afastar os "casacos" dos preconceitos da insensibilidade e descobrir um mundo novo dentro de nós.
O armário também nos remete para outros aspectos: repare-se que as crianças não entram em Nárnia por sua própria iniciativa, mas de uma forma aparentemente acidental, uma "cristocidência", pois para mim coincidências não existem, tudo acontece como Deus planeja em nossa vida, na realidade tudo se trata de um desígnio superior. Verifica-se depois que esta entrada em Nárnia fazia parte do plano de Aslan e das profecias de Nárnia. Aslan desejava proporcionar aos jovens uma experiência enriquecedora e marcante; fê-los parte integrante do seu plano, deu-lhes papéis essenciais na sua luta a fim de depois compartilhar com cada um deles a riqueza do seu reinado de amor.
Assim é Deus: tem o Seu amor centrado no homem, desenhando um plano para cada um; considera cada indivíduo imprescindível e deseja que cada homem seja um filho Seu. Assim, as portas do guarda-roupa, num sentido literal, conduzem os jovens à verdadeira porta: “Eu sou a porta” - disse Jesus. (João 10:9)
Tal como se verifica em diferentes momentos, cada um dos jovens tem de assumir de forma clara e pessoal o seu desejo de permanecer em Nárnia. Cada um assume um compromisso que não é imposto: Pedro , Edmund, Susan e Lucy lutam de sua livre vontade. Assim é a relação com Deus: não é imposta, mas tem de ser genuinamente pessoal, revestida de verdade e amor.
Mesmo depois de abandonarem Nárnia, as crianças regressaram ao mundo qua haviam deixado fora do armário, mas seguramente terão vivido de uma forma bem diferente. Uma outra lição aprenderam com certeza ao longo da sua jornada: cada um é único e excepcional, mas a sua força e crescimento residem na união, na entreajuda, na comunhão e no perdão entre irmãos ligados, sustentados e movidos pela fé:
“Suportem-se uns aos outros e perdoem as queixas que tiverem uns contra os outros. Perdoem como o Senhor lhes perdoou.” (Colossenses 3:13)
Termino meu post de hoje totalmente dedicado ao livro (e filme) que me encantou O Leão, a Feiticeira e o Guarda-roupa, sabendo que muito fica por dizer; pois para além da porta do guarda-roupa há tanto para ver...
MENSAGEM DO DIA:

"Eu creio no Cristianismo tal como creio que o Sol nasceu, não apenas porque o vejo mas porque através dele eu vejo todas as outras coisas."
(C. S. Lewis - *1898 +1963)
SOFÁ COM PIPOCA:
Hoje logicamente, só poderia recomendar esse filme que tanto me encantou. Eu já o assisti várias vezes e não me canso, meu amor até me deu de presente.
Corre, compre o seu também, ou alugue já!!!
AS CRÔNICAS DE NÁRNIA

O filme de Nárnia conta as aventuras dos irmãos Lúcia (Georgie Henley), Edmundo (Skandar Keynes), Susana (Anna Popplewell) e Pedro (William Moseley), que são enviados pela mãe à segurança do interior da Inglaterra quando os bombardeios nazistas ameaçam Londres na Segunda Guerra Mundial. Ao chegarem em seu destino, os quatro descobrem, durante uma brincadeira de esconde-esconde, um portal mágico. Escondida dentro de um guarda-roupa, atrás dos casacos de pele, a passagem os leva direto ao mundo mágico de Nárnia. Mas o local esconde uma profecia: a de que duas "Filhas de Eva" e dois "Filhos de Adão" virão para enfrentar, ao lado do majestoso Leão Aslam (voz de Liam Neeson na versão original, Paulo Goulart na nacional) a Feiticeira Branca (Tilda Swinton) e retomar a beleza e a liberdade de Nárnia.
**Cenas do filme





TRILHA SONORA DE HOJE:
Hoje é um corinho evangélico que eu cantava quando frequentava a igreja; mas já o ouvi também sendo cantado por outras igrejas.
Não importa a qual denominação religiosa a pessoa pertença, o importante e ACREDITAR e CONFIAR em DEUS SEMPRE!!!

Ele é o Leão da tribo de Judá
Jesus tomou nossas cadeias e nos libertou
Ele é a Rocha da nossa vitória
A nossa força em tempos de fraqueza
Uma torre em tempos de guerra
Ó, Esperança de Israel!
Ele é o Leão da tribo de Judá
Jesus tomou nossas cadeias e nos libertou
Ele é a Rocha da nossa vitória
A nossa força em tempos de fraqueza
Uma torre em tempos de guerra
Ó, Esperança de Israel!
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