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Oi!!!
Tenho olhado mais do que nunca ao meu redor, mas não tenho gostado muito do que vejo, sinceramente. Tento ajudar as pessoas, dentro do possível, mas cansa ver que muitas não sabem que há uma enoooorme diferença entre bondade e exploração.
Tenho tentado contribuir para que as pessoas tenham dias mais felizes, mas parece que elas acabam pensando que isso tem que se tornar uma obrigação e não um favor.
Hoje estou ainda mais cansada disso, e tenho meus motivos; e a culpa é direta e indiretamente de uma só pessoa, mas principalmente por causa de mim.
Sim, as pessoas só fazem conosco o que nós permitimos, então enquanto elas não aprenderem a olhar ao seu redor, terei os meus olhos um pouco mais voltados para mim. Com urgência. Com licença.
Fiquem com um belíssimo texto da Clarice Lispector, cujo título é também o assunto do post de hoje:
OLHE AO SEU REDOR
"Olhe para todos a seu redor e veja o que temos feito de nós. Não temos amado, acima de todas as coisas. Não temos aceito o que não entendemos porque não queremos passar por tolos. Temos amontoado coisas, coisas e coisas, mas não temos um ao outro. Não temos nenhuma alegria que já não esteja catalogada.
Temos construído catedrais, e ficado do lado de fora, pois as catedrais que nós mesmos construímos, tememos que sejam armadilhas. Não nos temos entregue a nós mesmos, pois isso seria o começo de uma vida larga e nós a tememos. Temos evitado cair de joelhos diante do primeiro de nós que por amor diga: tens medo. Temos organizado associações e clubes sorridentes onde se serve com ou sem soda.
Temos procurado nos salvar, mas sem usar a palavra salvação para não nos envergonharmos de ser inocentes. Não temos usado a palavra amor para não termos de reconhecer sua contextura de ódio, de ciúme e de tantos outros contraditórios. Temos mantido em segredo a nossa morte para tornar nossa vida possível. Muitos de nós fazem arte por não saber como é a outra coisa. Temos disfarçado com falso amor a nossa indiferença, sabendo que nossa indiferença é angústia disfarçada. Temos disfarçado com o pequeno medo o grande medo maior e por isso nunca falamos o que realmente importa. Falar no que realmente importa é considerado uma gafe.
Não temos adorado por termos a sensata mesquinhez de nos lembrarmos a tempo dos falsos deuses. Não temos sido puros e ingênuos para não rirmos de nós mesmos e para que no fim do dia possamos dizer "pelo menos não fui tolo" e assim não ficarmos perplexos antes de apagar a luz. Temos sorrido em público do que sorriríamos quando ficássemos sozinhos. Temos chamado de fraqueza a nossa candura. Temo-nos temido um ao outro, acima de tudo. E a tudo isso consideramos a vitória nossa de cada dia."
MENSAGEM DO DIA:
"Basta somente um olhar.
Quando estiver em dificuldade e pensar em desistir, OLHE PARA TRÁS, e lembre-se dos obstáculos que já superou.
Se tropeçar e cair, levante-se... Não fique prostrado, OLHE PARA FRENTE, e esqueça o passado.
Ao sentir-se orgulhoso por alguma realização pessoal, OLHE PARA DENTRO, e sonde suas motivações.
Antes que o egoísmo o domine, enquanto seu coração é sensível ,OLHE PARA OS LADOS, e socorra aos que o cercam.
Na escalada rumo às altas posições no afã de concretizar seus sonhos, OLHE PARA BAIXO, e observe se não está pisando em alguém.
Em todos os momentos da vida, seja qual for sua atividade, OLHE PARA CIMA, e busque a aprovação de Deus."
SOFÁ COM PIPOCA:
Hoje a indicação é uma comédia nacional; não preciso nem comentar que o cinema brasileiro, melhorou muito de uns tempos pra cá, e vem surpreendendo muita gente lá fora, e mais ainda a nós mesmos... os brasileiros.
No elenco desse, só tem feras da nossa telinha; Denis Carvalho (é Arnaldo), Carla Daniel (é Regina), Ary Fontoura (é Padre Henrique), Maria Gladys (é Cida), Thiago Lacerda (é Nestor), Glória Menezes (é Vivinha), Thomas Morkos (é Cauê), Patrícia Pillar (é Dra. Cris), Glória Pires (é Helena), Tony Ramos (é Cláudio), Lara Rodrigues (é Bia), Lavínia Vlasak (é Bárbara) e Danielle Winits (é Cibely ).
Esse filme mostra perfeitamente, que nem sempre é tão simples assim estar no lugar do outro. Assista!
SE EU FOSSE VOCÊ
Cláudio, 50 anos, publicitário bem sucedido, dono da própria agência, e Helena, 40 anos, professora de música, coordenadora de um coral infantil, são casados há muitos anos e já caíram na rotina. É indiscutível que se amam, mas que casal não tem uma briguinha de vez em quando?
Porém um dia, uma dessas briguinhas vira uma brigona, e percebem em pânico que foram atingidos por um fenômeno inexplicável: eles trocam, literalmente, de corpos. A consciência de Cláudio havia migrado para o corpo de Helena, e vice-versa. Portanto, Cláudio passa a ter um corpo de mulher: o de Helena; e Helena, um corpo de homem: o de Cláudio.
Apavorados, decidem manter uma aparência de normalidade até conseguirem reverter aquela incrível e insustentável situação. Para isso, cada um é obrigado a assumir, em todos os sentidos e conseqüências, a vida do outro. Coincidentemente, ambos estão passando por um momento especial em suas vidas. Cláudio está coordenando uma campanha publicitária fundamental para estabelecer seu futuro profissional e Helena tem uma apresentação importante com seu coral em apenas alguns dias.
A isto, somam-se outras dificuldades, como as intervenções da mãe de Helena, bisbilhotando a vida do casal; as pressões do sócio majoritário da agência, ameaçando vendê-la e com isso deixando Cláudio em maus lençóis; as solicitações da filha adolescente e da vida doméstica; a difícil adaptação a um corpo de outro sexo; as situações sociais totalmente novas para cada um; a tensão de serem descobertos etc... Mas logo eles percebem que a única maneira de sobreviver a tantos desafios é se unirem e tentar sair desta situação. É o que decidem fazer. E à medida que vão suplantando os obstáculos, vão aprendendo mais sobre o outro e sobre si próprios. Desenvolvendo uma linda história de amor, com todas as situações de uma agradável comédia.
**CENAS DO FILME
TRILHA SONORA DO DIA:
Gosto demais dessa música na voz do Ney!
NEY MATOGROSSO
AS APARÊNCIAS ENGANAM
(Composição: Tunai e Sergio Natureza)
As aparências enganam, aos que odeiam e aos que amam
Porque o amor e o ódio se irmanam na fogueira das paixões
Os corações pegam fogo e depois não há nada que os apague
e a combustão os persegue, as labaredas e as brasas são
O alimento, o veneno e o pão, o vinho seco, a recordação
Dos tempos idos de comunhão, sonhos vividos de conviver
As aparências enganam, aos que odeiam e aos que amam
Porque o amor e o ódio se irmanam na geleira das paixões
Os corações viram gelo e, depois, não há nada que os degele
Se a neve, cobrindo a pele, vai esfriando por dentro o ser
Não há mais forma de se aquecer, não há mais tempo de se esquentar
Não há mais nada pra se fazer, senão chorar sob o cobertor
As aparências enganam, aos que gelam e aos que inflamam
Porque o fogo e o gelo se irmanam no outono das paixões
Os corações cortam lenha e, depois, se preparam pra outro inverno
Mas o verão que os unira, ainda, vive e transpira ali
Nos corpos juntos na lareira, na reticente primavera
Muitos bjos...
pra todos!
*Patty